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O marketing pessoal e as relações
amorosas
(por Silvio Celestino*)
Muitos executivos para os quais faço o
desenvolvimento de metas e resultados a partir do processo de
coaching são literalmente falidos em seus relacionamentos. As
executivas não estão em melhor situação. Recentemente um
empreendedor perguntou-me se possuía algum conhecimento em utilizar
o processo de coaching para casais. Mais que isso, já me perguntaram
se marketing pessoal pode ser utilizado nas relações amorosas. Minha
primeira resposta é não, não pode. Pelo simples motivo que marketing
é toda ação que gera uma possibilidade de venda e marketing pessoal
é toda ação (subentendida, toda ação de marketing) que gera uma
possibilidade de sucesso da pessoa.
Sendo assim, a menos que você pretenda vender algo para sua esposa
ou marido e ganhar algum dinheiro com isso, o marketing pessoal não
irá ajudá-lo no relacionamento. Entretanto, aprofundando-me um pouco
mais na questão, pode-se utilizar algum princípio do coaching e do
marketing pessoal para se desenvolver idéias e ações que gerem um
novo contexto para o casal, embora não seja um princípio exclusivo
dessas áreas.
Para quem não está acostumado com o termo, coaching (pronuncia-se "kôotchin"
(sic) e significa treinamento, em inglês) é o processo de
desenvolvimento de competências. Competência é a capacidade de agir,
de realizar ações em direção a um objetivo, metas e desejos. É um
processo de investigação e reflexão. Descoberta pessoal de fraqueza
e qualidades. Aumento da consciência de si, da capacidade de
responsabilizar-se pela própria vida com estrutura e foco. O
processo oferece feedback realista e apoio. Ele é desenvolvido
primordialmente a partir de perguntas que possam gerar novas ações e
novas soluções.
Entretanto, quando os casais brigam e ambos querem estar certos são
gerados, na maioria das vezes, mágoas e ressentimentos, e não doces
lembranças. Quando cobram responsabilidades mútuas eles as
interpretam não como uma prova de integridade, mas um aborrecimento.
Onde está a diferença?
As noções de amor que nos chegam e que são consideradas parâmetros
para muitos relacionamentos foram criadas, na sua maioria, por nossa
cultura: livros, filmes, poesias, canções, outras pessoas e nossos
pais. Assim, perpetuamos algumas idéias do passado sem nunca
pararmos para pensar se não há outra forma, algum outro caminho de
se amar.
Se seu relacionamento depende do preenchimento dessa emoção, então é
um bilhete premiado para o fracasso. Pelo simples motivo de que
nenhuma emoção, nenhuma experiência e nenhum sentimento duram
indefinidamente. Todos têm um começo, um meio e um fim. É por isso
que no ritual de casamento ninguém declara: “estarei com você
enquanto o meu sentimento durar”. Quem criou o ritual sabia o que
estava fazendo.
Então você deve abrir mão do sentimento? Não! Claro que não! Mas
considere a possibilidade que você não sabe como gerá-lo. Sendo
assim, a maior parte das pessoas, quando diz “eu sinto amor por
você”, na verdade quer dizer “o amor me pegou!”. Ela não fez nada.
Aconteceu. Não há poder sobre isso.
Considere a idéia de que um relacionamento é um empreendimento, por
menos sexy ou inspirador que isso transpareça à primeira vista.
Repetindo, no que diz respeito a um princípio do marketing pessoal e
do coaching aplicável ao amor, o princípio é: o propósito. É ele que
permite a você, uma vez escolhida com liberdade a pessoa a quem irá
amar, criar algo em comum. Quanto mais pobre for o propósito, maior
a chance de desilusão. Quanto mais nobre, maior a possibilidade de
sucesso. Por exemplo, se os propósitos forem: “para criar os filhos”
ou “para constituir uma família” e “ser feliz”, eles são fracos
demais. O que você precisa para ter um filho? Olhe em volta e verá
que a maioria dos lares em qualquer nível social possui filhos. E é
uma família mesmo não sendo um modelo de família.
Suas ações e falas estão gerando alegria? Quando conversa com seu
par é este o propósito de sua fala? Ou é cobrá-lo por algo? Por
exemplo, suprir essa sua emoção que se foi? Seja brutalmente honesto
com a razão de cada uma de suas atitudes e verá que, no fundo, seu
objetivo de tempos em tempos é recuperar o sentimento perdido. Mas,
para recriá-lo, precisa de um contexto maior. Especificamente: das
falas e ações em direção a um propósito e das conquistas a partir
dele.
Partindo-se do propósito individual, observe que não é tão difícil
amar um esportista de sucesso ou mesmo uma atriz de grande talento.
Suas ações e falas têm um propósito muito claro e suas conquistas
são plenamente observáveis. Já para os demais, a complexidade
aumenta, pois na verdade nos relacionamos a partir de nossas
agendas. Se você não se interessa pelo que seu par faz, terá
problemas, pois não irá compreender porque ele faz o que faz.
Passará a se sentir em segundo plano e muito rapidamente, ao invés
de contribuir para que ele seja quem deseja ser, estará sendo a
pessoa que o incomoda por reclamar de quem ele é e do que faz.
Por esta razão, a primeira pessoa por quem você deve se interessar,
antes de envolver-se em um relacionamento, é você mesmo. Quem você
é? Qual o seu propósito? O que você faz hoje e o que pretende fazer
no futuro? Se não souber para onde está indo, como irá querer que
outra pessoa se envolva com você? Como irá esclarecer suas
responsabilidades e como divide seu tempo entre suas ações e qual o
tempo que irá dedicar ao seu relacionamento? Principalmente: como
irá envolver a pessoa amada em sua vida? Lembre-se de que
relacionamento é uma escolha e você deve responsabilizar-se para não
ficar reclamando que seu par não o entende. Você é tão claro assim?
Se não é, comece a sê-lo. Converse sobre seu futuro, o que você quer
que ocorra nele. E, principalmente: ouça a pessoa que está ao seu
lado e minha sugestão é que faça isso em primeiro lugar. Qual é o
propósito dela?
A partir daí, alinhem os propósitos e criem um terceiro que seja
inspirador para ambos. Não precisa abrir mão do seu, deve apenas
alinhá-lo a esse novo.
E, se já está em um relacionamento, dedique-se a um bom
desenvolvimento pessoal a partir de agora. A aceitação é o princípio
que permite o amor (sentimento) tornar a surgir. Sem aceitação é
muito provável que seu relacionamento se desenrole como um conjunto
de atividades sem sentido e sem emoção, ou, o que é pior: uma busca
por ser feliz ou para que alguém o faça feliz, quando na verdade a
felicidade é uma responsabilidade de cada um por si mesmo.
Portanto, crie e comunique seu propósito para ter envolvimento de
outras pessoas na sua vida. Nas palavras de Joseph Campbell: “penso
que o que buscamos não é um sentido para a vida, mas experiências
que nos mostrem o enorme enlevo que é estarmos vivos”.
* Silvio Celestino é especialista em
Marketing Pessoal, formado em administração de empresas com
pós-graduação em Marketing pela FGV-SP e Certificado em Customer
Experience Management (CEM+TM ) pela ShaunSmith+Co (USA).
Fonte: Jornal Sua Carreira - Site Empregos.com.br
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