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Fim de ano: Fazendo o balanço do
comportamento
(por Maria Aparecida A. Araújo*)
O mês de dezembro chega e todos nos lançamos a uma corrida, quase
obsessiva, para terminar tudo que está pendente, antes que o Natal
chegue. Obras ou decoração da casa, encerramento de projetos,
relatórios finais etc. As ruas ficam muito mais agitadas, lojas
repletas e trânsito ainda mais caótico. Em nossos lares, a
propaganda nos meios de comunicação sempre sinaliza para o consumo
imediato e impulsivo. Salário mais gordo e compras também.
As empresas encerram o ano sempre com um balanço, em que
contabilizam seus lucros e perdas, traçando novas metas para o ano
que inicia. Geralmente quando os ganhos foram mais expressivos,
atribui-se ao excelente desempenho da administração. Entretanto,
quando há prejuízo, esse é sempre resultante de fatores externos e
conjunturais.
Do mesmo modo que as empresas, também as pessoas tendem a fazer um
balanço de suas vidas nesse período pré-natalino. O ano que termina
é avaliado então como tendo sido bom e produtivo ou péssimo, devendo
entrar para o rol daqueles a serem esquecidos.
O balanço que fazemos é sempre primeiramente financeiro. Avaliamos
se estamos mais ricos ou pobres. Se estamos ou não com dívidas, se
elas são possíveis de serem pagas ou não, se fizemos ou não bons
investimentos. Mas inevitavelmente chegamos ao balanço emocional.
O balanço emocional freqüentemente tende a deixar as pessoas
deprimidas. Isso porque não somos habituados a fixar nossos olhares
nos sucessos e nas pequenas melhorias diárias. Nossa natureza nos
impele a enxergarmos sempre as falhas e os fracassos. O passado
volta e traz consigo culpas e falsas alegações para muitos. Estes
tentam justificar suas atitudes equivocadas do presente como
resultantes de fatos ocorridos em suas vidas em muitos meses ou anos
anteriores.
Certamente que o nosso presente sofre os reflexos do nosso passado e
será determinante para o nosso futuro, mas isso não deve impedir que
nos libertemos das emoções negativas e das feridas, apagando as
tristezas e, sobretudo, aprendendo com os erros.
Nossa busca constante deve ser pela evolução e não pela autopunição.
Ficaremos livres desse sentimento de desconforto quando dermos mais
importância aos nossos acertos; quando as atitudes de respeito,
generosidade e solidariedade pelas pessoas que conosco conviveram
pesarem mais na nossa conta de lucros, que as falhas cometidas, no
campo dos prejuízos. Olhando para o ano que termina, tente não se
sentir culpado. Responsável, sim; culpado não!
A diferença é que, sentindo-se responsável, você saberá que está em
suas mãos mudar as coisas que o afligem e incomodam. Você é o
sujeito de seu próprio destino e certamente, mudando seu
comportamento e suas atitudes, você terá conseqüências diferentes
das que tem tido até agora.
Alimente–se com boas leituras. Preste atenção aos seus desejos e
dedique-se um pouco a satisfazê-los. Aprenda a se gostar um pouco
mais. Assim passará a gostar mais dos outros. Estabeleça como meta
cuidar melhor de si mesmo no próximo ano, dando mais espaço para ver
aflorar sua sensibilidade. Deixe fluir sua criatividade e seu prazer
pelo seu trabalho.
Reserve sempre em sua vida um espaço para a entrada do novo. Não se
feche em antigas crenças que só o limitarão. Abra-se para novas
amizades e relacionamentos. Veja em cada um deles novas
possibilidades de aprendizado e crescimento. Nunca se esqueça de que
as outras pessoas trazem mais colorido e graça para sua vida.
Procure sorrir e elogiar com mais freqüência. Abraçar também faz
bem.
Procure conviver com pessoas que coloquem o seu astral para cima e
não aquelas habituadas a criticar, abaixando sua auto-estima.
Analise os aspectos de seu trabalho com objetividade, tentando
identificar o que deve ser mantido e aprimorado e o que deve
imediatamente ser deixado de lado. Arrume sua mesa e suas gavetas e
prepare-se para rever também posturas e processos. Se o seu
comportamento não está sendo produtivo, trate de mudá-lo o mais
rápido possível.
Estabeleça como meta desenvolver um eficaz controle do seu tempo,
para que melhore sua qualidade de vida. Deixe espaço para atividades
físicas, boa alimentação e horas agradáveis de lazer. Seja mais
organizado e estruture já sua agenda para o ano que chega, sem se
esquecer de anotar as datas de aniversário de seus amigos mais
queridos.
Eles irão adorar receber um cartão ou telefonema seu, assim como
você adora que eles se lembrem de você.
No balanço das empresas tudo pode ser resumido em números e cifras,
mas nos nossos sentimentos eles não se aplicam. Sentimentos,
alegrias tristezas, frustrações, vitórias, amizade, amor e dor não
podem ser medidos por fórmulas econômicas e matemáticas. Portanto,
nosso balanço das atitudes é bem mais complexo que o contábil; ele
exige de nós muito mais atenção e determinação.
Nunca nos devemos esquecer de que nosso comportamento influencia o
comportamento das outras pessoas e é também influenciado por ele.
Somos ao mesmo tempo emissores e receptores de energia. Nosso
desempenho profissional dependerá muito da troca de energia que
estabelecermos com aqueles que conosco convivem: em casa, nas ruas e
principalmente no trabalho.
Todo fim de ano planejamos mudanças em nossa vida. Mas as mudanças
só se concretizam se acontecerem primeiro em nosso mundo interior.
Mudanças que removam primeiro as ações de nossos sabotadores
internos. Esses sabotadores é que bloqueiam nossas tentativas de
melhoria. Eles é que nos fazem repetir as mesmas atitudes e
comportamentos equivocados. Mas ninguém conseguirá derrotá-los, a
não ser nós mesmos.
Esteja certo de que tão logo seja dado o primeiro passo, as mudanças
virão. Acredite nisso!
Desejo aos queridos leitores um Natal de paz e alegria e um Ano Novo
repleto de realizações.
Não se esqueçam de que é sempre conveniente realizar sempre mais
tudo que seja bom, útil, belo e nobre.
Quanto mais fizerem nas áreas do bem, mais amplamente receberão os
bens da vida.
Todavia, se não puderem realizar o máximo, atendam
pelo menos ao mínimo do que possam fazer, pois todo muito depende do
pouco para começar.
* Maria Aparecida A. Araújo é consultora de
Comportamento Profissional, Etiqueta Social e Internacional,
Marketing Pessoal, Cerimonial e Protocolo; palestrante e
facilitadora de cursos especiais; consultora do Instituto Brasileiro
da Qualidade Nuclear. É graduada em Letras, com Licenciatura em
Língua e Literaturas de Língua Portuguesa. Diretora da Etiqueta
Empresarial Executive Manners Consulting, com 21 anos de experiência
em atendimento de excelência ao cliente.
Fonte: Jornal Carreira & Sucesso - do site Catho:
www.catho.com.br
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