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CINCO PORCENTO
“Sou apenas um, mas ainda sou pelo menos um. Eu não
posso fazer tudo, mas ainda posso fazer algo. E só porque não posso
fazer tudo, não recusarei fazer o que posso fazer”.
Edward Everett
(por Fábio Violin*)
Você conhece cinco bons garçons? Cinco excelentes
contadores? Conhece cinco administradores realmente admiráveis
trabalhando em uma mesma empresa? Já teve a oportunidade de contar cinco
excelentes atendentes ou vendedores?
Pois bem, já percebeu que existem milhares de profissionais que não se
destacam.
Já notou que existe uma massa de pessoas que se acotovelam em filas
imensas procurando um emprego, gente que fica dois, três ou mais anos
sem conseguir um único local para trabalhar.
É incrível a quantidade de gente que aceita receber bem menos do que a
função paga por absoluta necessidade. O mais interessante é que essas
pessoas abrem um precedente e prejudicam a si e também aos demais
profissionais da mesma área, pois não terão nem a paixão e nem a
dedicação necessária brilharem.
A quantidade de pessoas sem distinção é tão grande que é possível
começar a entender os motivos que levam os salários a se achatarem, as
exigências para contratação maiores e a calamidade no trato com os
clientes.
Recentemente, lendo o jornal vi o seguinte anúncio:
“Procura-se profissional com curso superior em secretariado executivo ou
equivalente, bilíngüe, experiência mínima de três anos na função, com
capacidade de liderança, inter-relacionamento pessoal, comunicativo e
com ambição. Carga horária semanal de 40 horas, auxílio alimentação e
passe de ônibus. Salário líquido final R$ 480,00”.
Fiquei curioso e alguns dias depois liguei para a empresa para saber
quantas pessoas tinham aparecido para a entrevista de seleção. Pasmem:
117 pessoas.
Todas dispostas a ocupar essa “maravilhosa” vaga. Aproveitei e perguntei
quantas outras tinham subido de cargo ocupando essa mesma função, e a
pessoa me respondeu que nenhuma, o cargo era apenas esse.
95% ou mais das pessoas nunca terão distinção. Esse número chega a ser
cruel. Mas quer ver como são verdadeiros:
Juscelino Kubitschek deixou seu nome gravado na história do país. Mas
para tanto contou com a ajuda de muita gente. Você já ouviu falar de
alguns deles?
Pelé foi um dos maiores esportistas que o mundo já viu. Fez fama e
fortuna. Você sabe quais foram os outros jogadores que o apoiaram dentro
de campo principalmente no início de carreira?
Quais os nomes dos principais generais de Napoleão mesmo?
Você já passou ou conhece alguém que tenha passado pela situação de
realizar algo que tenha gerado resultados em uma empresa, mas quem ficou
com os créditos foi o chefe?
Pois é, o mundo não é necessariamente justo e bom para todos. Mas isso
não é motivo para se lamentar. Afinal, reclamar é fácil, difícil é ter
força e coragem para reverter situações difíceis.
Perceba que destacar-se exige entrega, paixão, dedicação, conhecimento
e, sobretudo visão. Ah, uma pitada de sorte também ajuda.
E que infelizmente até chegarmos ao ponto de nos destacarmos leva-se
muito tempo trilhando um caminho difícil, isso quando não há um
espertinho que toma para si os créditos daquilo que realizamos.
No entanto, nem todos chegam aos cargos clamorosos, nem todos chegam a
ser donos de empresas de sucesso. Sendo assim é possível entender que
existe algum tipo de “escravidão branca, negra, vermelha e amarela” que
coloca milhares de pessoas em empregos medíocres, cubículos apertados,
com intermináveis horas realizando serviços burocráticos, destinadas a
cumprirem religiosamente uma rotina dura e sacrificante. E que na
maioria dos casos essas pessoas passam a vida distantes léguas da vida
que desejavam e no final acabam dependendo de uma mísera aposentadoria,
muitos sequer tem uma velhice digna.
O que mais incomoda é que essa pessoa no final da vida pode ser você ou
eu. E definitivamente nenhum de nós quer acabar dessa maneira.
Acredito que a maioria dos cargos em todos os setores são ocupados por
pessoas que tem como prioridade não passarem fome, preocupadas em pagar
o financiamento da casa própria, a conta de água, luz, prestações de
alguma coisa e assim por diante. O sonho termina quando a companhia de
energia corta sua luz. O desespero bate ao perceber que o poder
aquisitivo diminui e a gasolina aumentou de novo.
Somente esforço, dedicação e horas e mais horas de empenho não são mais
suficientes para destacar alguém.
Quer ver: Imagine dois alunos de colégio publico. Ambos necessitam de
média sete para passarem de ano. O primeiro tira sete no primeiro
bimestre e sete no segundo. Média final sete. O aluno está aprovado. O
segundo tira quatro no primeiro bimestre e dez no segundo. Média final
sete. Também está aprovado. Dos dois qual chamou mais atenção? O que foi
regular ou o que saiu de uma situação desfavorável e reverteu o jogo a
seu favor?
Só se destaca aquele que chama a atenção. O que faz diferente ou ainda o
que é capaz de agregar algum valor a alguém, surpreender.
Aqui vão algumas dicas, apesar de serem gratuitas pense com carinho a
respeito:
• Ao menos uma vez por semana pense em algo que poderia mudar ou fazer
melhor;
• Se dedique a analisar a qualidade do que os outros fazem, não para
criticar, mas para aprender algo novo;
• Visite site e leia sobre coisas que nunca imagino fazer por não serem
do seu ramo;
• Ao menos uma vez por mês conheça a história de alguém que deu certo ou
que fracassou, mas aprenda uma lição com essa pessoa;
• Também pelo menos uma vez por mês pesquise vagas de emprego e veja se
você teria condições de ocupar algum dos cargos;
• Leia a biografia de alguém de sucesso e aprenda algo com ela;
• Visite ao menos uma vez por mês um asilo e imagine como se sentiria
morando lá;
• Imagine de vez em quando uma vida completamente diferente da que tem.
São pequenos exercícios sem nenhuma comprovação científica (os teóricos
podem querer minha cabeça por essas dicas), mas que podem de repente
mudar sua vida para melhor.
O homem não nasce pequeno, se deixa diminuir pelas dificuldades da vida.
* Fábio Violin - Mestre em Estratégias e
Organizações -UFPR; professor Universitário, palestrante e consultor
de empresas; colaborador ou colunista em mais de 180 sites no Brasil
e exterior; e-mail: flviolin@yahoo.com.br
e
flviolin@hotmail.com.
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