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Arma
contra a maledicência
(por
Antônio Rpoberto Soares)
Toda
vez que se faz algum comentário desabonador sobre o comportamento
alheio ou, em casos mais graves, quando se inventa algo sobre o
outro, está havendo luta e hostilidade à pessoa objeto da maledicência.
Vivemos numa sociedade extremamente competitiva e existem duas
formas cruéis de destruirmos uns aos outros. Ou matamos a pessoa
(destruição do corpo) ou matamos a sua imagem. Numa sociedade,
onde a imagem tem um alto valor, falar mal de alguém é uma
tentativa de aniquilação do outro perante à sociedade.
Esse
comportamento é fruto da competição e da inveja. O prazer de
falar mal de alguém existe porque equilibra o mal-estar do invejoso
diante da alegria, do sucesso ou da competência do outro. O
maledicente sofre de profunda inferioridade e sofre com o brilho das
outras pessoas. Por não ter luz própria, só consegue brilhar
roubando a luz do outro.
Se
temos necessidade de espalhar o lado negativo de alguém, ainda que
seja verdade, estamos sendo inimigos dessa pessoa e queremos sua
destruição para nos sentirmos superiores a ele. Muitas pessoas não
percebem o estrago que fazem na vida de outros quando são
maledicentes; outras sabem disso e o fazem exatamente por isto.
O
que temos a fazer é aprender a conviver com esse fenômeno. Se
crescermos e obtivermos sucesso, inevitavelmente seremos objetos da
inveja alheia e da maledicência. Muita gente, sofre profundamente
quando é alvo de alguma fofoca. Chora, se sente injustiçada, e
isso tem a ver com a vaidade humana.
Temos
de aprender a não falar mal das outras pessoas e, de preferência,
desenvolver a competência de falar bem. Nem sofrer tanto, por causa
da consciência da competição e inveja de quem fala mal de nós,
pois não vale a pena dar tanta importância à fala dessas pessoas
destrutivas. Muitas vezes, o melhor é cortar o relacionamento com
elas.
Uma
das maiores virtudes do homem é a capacidade de admirar, de olhar o
lado claro e bom que existe nas outras pessoas. A começar por nós
mesmos. Uma pessoa que se admira, que se vê preferencialmente nos
aspectos positivos, que se ama, que se perdoa pela própria imperfeição,
também perdoa a imperfeição do outro e não sente prazer em falar
mal e destruir um ser humano.
O
amor só existe em pessoas que têm competência para admirar. A
hostilidade e o desamor começam com a maledicência. Todo cuidado
é pouco com o ser humano. Cultivar o respeito à natureza humana é
o primeiro passo para relacionamento sadios.
Os
maledicentes são pessoas complicadas para o relacionamento e trazem
muitos problemas para os grupos a que pertencem, seja na família,
no trabalho, no lazer ou na sociedade. A palavra é um grande dom e
estrutura as relações. A língua estabelece o diálogo, o afeto, o
elogio e o amor.
Quando
nossa língua está conectada ao coração, em sintonia com o
sentimento, ela fala aquilo que está dentro do coração. Se nele há
bondade, afeto, ternura e amor, a língua é instrumento de
construtividade, beleza, admiração. É bom falar bem das pessoas,
realçar seu valor perante outros, admirar seus dons e seus
talentos. Isso cria um clima de paz e harmonia.
Quando,
porém, meu coração está cheio de inveja, ressentimento e ciúme,
a língua se torna um instrumento de destruição. Ela é ferina,
faz estragos na vida de outros e na própria. Pessoas que falam mal
das outras entraram no mundo da perversidade e atraem para si aquilo
que elas desejam para os outros: "À toda ação, corresponde
uma reação igual e contrária".
A
boca fala o que há no coração. Conhecemos as pessoas pelas suas
falas, porque aí conhecemos o seu coração. Pessoas amorosas têm
palavras amorosas. Pessoas invejosas têm palavras venenosas.
Uma
forma saudável de conviver com a calúnia e a difamação é
aumentar a nossa auto-estima, através da observação de nossos
pontos fortes, nosso potencial e do perdão às nossas fragilidades.
Se nos amamos de verdade, não nos definiremos pela fala dos que não
são nossos amigos. Um bom exercício é repetirmos, de vez em
quando, o seguinte:
- Eu sou o que sou e não o que os outros querem que eu seja.
A
melhor resposta aos que falam mal de nós é continuarmos, com
humildade, a caminhada para novas conquistas e novos horizontes,
para a alegria e felicidade.
Tudo
o que fazemos é uma escolha, mesmo quando não tomamos nenhuma
decisão.
Todos temos direito a fazer escolhas nas nossas vidas. Escolhemos
profissões, amigos, companheiros, moradia, etc.
Nem sempre acertamos, o que não faz de nós, nada, além de
"humanos".
E por assim sermos, muitas vezes não sabemos o que devemos fazer,
qual caminho seguir. Temos dúvidas, hesitamos, diante de situações.
Quantas vezes, por temer os resultados de uma atitude, - que sabemos
que devemos que tomar - não fazemos nada, deixando as coisas se
resolverem por si só ?
Este não fazer nada, muitas vezes é realmente a solução.
Quantas vezes não é melhor não tomar atitude alguma, esperar as
coisas se acalmarem, a poeira baixar, para daí nos manifestarmos?
Se, sempre, à tudo e à todos vamos ter uma reação, o que vamos
realmente conseguir é uma estafa enorme, porque sempre estaremos
com a faca nos dentes, prontos a "resolver" todas as questões,
quando na maioria das vezes é melhor ter calma, ouvir mais,
ponderar, e só no dia seguinte, depois de uma noite (mal dormida,
sem dúvida) onde pudemos pensar, aí sim tomamos uma atitude.
E mesmo aí, quando continuamos a não fazer nada, a não tomar
nenhuma atitude, nenhuma decisão, também é uma escolha nossa,
esta "não atitude".
Portanto, seja fazendo ou não as coisas, decidindo, nós mesmos, ou
deixando para o destino a decisão, ainda assim, a escolha é nossa.
Nós escolhemos eleger o destino para governar nossas vidas e desta
forma escolhemos não tomar atitudes e decisões à respeito nem de
nossa vida, nem da vida dos que nos cercam.
É uma opção...
E as opções devem ser respeitadas. Da mesma forma que exigimos que
os outros respeitem nossas idéias, nossos gostos, nossas decisões,
devemos o mesmo respeito a eles.
Não se pode ter dois pesos, duas medidas, um para nós, outro para
as outras pessoas. Quem quer respeito, deve respeitar, mesmo e
principalmente quando não concordamos com a opinião ou a atitude
alheia.
Afinal é muito fácil e simples "respeitar", quando
concordamos, porque aí não é uma questão de respeito.
Concordamos e pronto! Respeitar é bem mais difícil, é quando não
concordamos e acatamos a forma da outra pessoa agir.
Fonte:
Site de Antônio Roberto Soares- http://www.antonioroberto.com.br
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