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A
DESCOBERTA DE NOVOS VALORES
por
Antônio Roberto Soares
Tornou-se
lugar comum falar que o mundo vive momentos de grandes mudanças e que a
época atual é crítica para o futuro da humanidade. E apesar de comum,
é verdade.
Precisamos todos refletir um pouco sobre a nossa responsabilidade de
participação nesta transformação. E, de certa forma, encontrar um mínimo
de respostas às nossas angústias e desnorteamentos nos dias de hoje.
Estamos relativamente perdidos porque estamos emaranhados em valores
criados por uma sociedade gananciosa, indiferente, falsa, violenta e, por
isso mesmo, suicida.
A humanidade sofre as conseqüências do desvio de rota, da perda sistemática
dos valores naturais de solidariedade, liberdade, verdade e de amor.
Todas as pessoas, com um mínimo de consciência, têm de contribuir de
uma forma ou de outra para a mudança do mundo, começando de nós mesmos.
Repensar nossas vidas, nossos relacionamentos, nosso trabalho, nossa
religiosidade, nossos valores.
Cada um de nós tem um caminho próprio. E nesse caminho a gente se
descobre, aprende muitas coisas, sofre, se perde muitas vezes, erra,
acerta. De qualquer modo, o que a vida nos pede é que não fechemos os
olhos para uma realidade difícil sob todos os ângulos: social, político,
econômico, moral etc. A nossa opção fundamental tem de ser um
compromisso com a pessoa humana, com os direitos da integridade e
liberdade da pessoa humana.
Isso, porém, só será possível se descobrirmos novos valores.
Tenho percebido, cada vez mais, uma onda de frustração invadindo as
pessoas. De maneira geral, as pessoas estão insatisfeitas na sua maneira
de viver, o seu corre-corre, na sua pressa, na sua ansiedade. Inúmeras são
as pessoas cada vez mais envolvidas num tédio existencial, que alguns dão
o nome de depressão. Apesar do grande esforço para parecerem felizes, não
estão tão felizes quanto parecem. Não conseguem esconder um grau
excessivo de tensão, preocupações e cansaço. E, se há alguns anos atrás,
as pessoas viviam silenciosamente os seus problemas, hoje, o homem moderno
não sofre em silêncio. As pessoas conversam sobre seus problemas.
Falamos sobre o que há de errado: a crise econômica atual, a poluição,
a falta de participação política e social, e falamos também, sobre o
que há de errado na nossa vida pessoal e íntima.
Falamos sobre os problemas que nos cercam, sobre as nossas angústias,
nossas depressões, ansiedades e tensões, problemas conjugais, crises do
casamento, problemas de relacionamento afetivo e profissionais. Isso deixa
claro que estamos passando a não aceitar como natural esse estado crônico
de desgosto e de insatisfação. Cada vez mais, um número maior de
pessoas começa a entender a necessidade de alguma mudança, que permita
uma vida mais satisfatória e mais significativa.
Muitas são as perguntas que, mais cedo ou mais tarde, nós nos
formulamos: será que vale a pena? Será essa a melhor forma de viver?
O que há de errado comigo? Serei somente eu que estou passando por esses
problemas? De qualquer forma, tudo isto acontece ao homem moderno, em meio
a uma forte crise que atravessa o mundo de hoje. Somente os cegos não vêem
acontecer já os sintomas claros daquilo que o americano Toffler chamou de
choque do futuro.
Vivemos sob a esmagadora tensão, o estresse e a desorientação. Somos
submetidos a uma carga de mudanças excessivas, dentro de um tempo muito
curto.
O choque do futuro não é mais uma possibilidade de perigo, não é algo
que virá, a longo prazo, mas é uma doença real que, progressivamente,
um número cada vez maior de pessoas já está sofrendo.
E no meio de tudo isto a nossa alternativa é redescobrir valores
esquecidos, mas capazes de nos ajudarem no caminho da felicidade,
simplicidade, cultivo da paz interior, da compreensão em nossos
relacionamentos, do crescimento individual, da solidariedade e, sobretudo,
o grande valor da esperança. Esses valores já existem no coração de
cada um de nós. Apenas precisamos deixar que ele apareçam. A família
continua a desempenhar um importante papel na transformação do mundo. E
é nela que inicialmente acontecerá a ênfase em valores de dignidade, ética,
tolerância e perdão.
Se não desistirmos da difícil peleja da própria transformação,
teremos a alegria de ajudarmos a construção dos novos tempos, cheios de
riscos mas também de muito amor.
Fonte:
Site Antônio Roberto Soares: http://www.antonioroberto.com.br
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