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ELE,
O BODE
por
Maria Cristina Gama Duarte
O
bode é repentino e traiçoeiro. De repente, você não suporta mais
a voz daquele colega ao lado. Toda e qualquer idéia que ele apresenta
parece ridícula, o escritório tornou-se pequeno demais para vocês.
Mesmo quando o sujeito não está, sua presença é incômoda e você se
sente impelido a denunciar seus defeitos a qualquer pretexto. Perigo: o
bode pode ser apenas expiatório e tomar o lugar daquilo que importa
realmente no dia-a-dia profissional.
1
- Sem querer psicologizar muito, procure as razões (íntimas, pessoas e
emocionais ) que transformaram aquele seu colaborador num ser que você
quer ver pelas costas. Talvez ele esteja chamando atenção para uma
angústia mal resolvida, talvez ele lembre seu pai, ou ela lhe recorde sua
irmão mais velha com mania de ordem. O importante é não alimentar o
monstro dentro de você e saber administrá-lo a curto e longo prazo.
Evite encontrar um aliado para fofocar ou procurar motivos que justifiquem
a sua implicância. O seu bode é pessoal e intransferível.
2
- O alvo do bode logo perceber que está levando um gelo. Mesmo quando
você o elogia, as frases saem ocas e as piadas frouxas. Não prolongue
essa agonia, nem deixe que se torne pública. Ganhe tempo, recorra aos
expedientes de amantes entediados: diga que está com problemas em casa,
que o MBA consome suas energias, que seu filho tosse a noite inteira,
insônia, etc.
3
- Se for necessário, entabule uma conserva franca (em tempo de
transparência, é um recurso à disposição do ofendido) . Adote uma
postura zen, pratique alguns exercícios respiratórios. Na falta disso,
um semblante distraído ja´eum bom remendo. Tudo menos usar a ironia, o
sarcasmo - munição pessoal e emotiva para fustigar o bode.
4
- No dia-a-dia, respeite o cardápio básico da boa educação: "bom
dia; bom trabalho; que dia frio, não?", frases inócuas mas mantenedoras de um nível cordial e elástico resistem até a dissolução
do bode.
5
- Se as críticas ao personagem não resistem a provas objetivas, não
tome nenhuma atitude precipitada do tipo demitir, pedir uma transferência
ou relatar ao superior e imediato. É bom refletir: o bode aparece em
momentos de pressão, quando a empresa manda apertar cintos ou pede
excelência sem dar condições. Como mecanismo de defesa, você ele o
outro como o pior,, o vulnerável, aquele que não se adapta. Uma visão
crítica e desapaixonada das políticas e critérios empresariais tende a desintegrar
um bode tão rápido quanto ele nasceu.
Fonte: Revista Vida & Trabalho Melhor - Junho 2001.
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