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Comportamento

 

 

ANALISE, INOVE E EXECUTE 

Inteligência está ligada a processos de raciocínio.


Mas não basta apenas atuar em uma rede e estar aberto ao mundo. É preciso "transitar" por estes processos de maneira inteligente. Como? Robert Sterneberg, psicólogo americano, professor da Universidade de Yale (EUA), autor do livro "Inteligência para o Sucesso Pessoal" (Editora Campus), chama isso inteligência ativa. De acordo com ele, a inteligência ativa envolve a capacidade de raciocinar de forma analítica, criativa e prática. O raciocínio analítico é utilizado para detectar e resolver problemas; o criativo para decidir como o problema deverá ser resolvido, e o prático para tomar decisões eficazes. E novamente vem a ressalva contra a simplificação: "A inteligência não é uma questão de quantidade, mas de equilíbrio, de saber quando e como utilizar o raciocínio analítico, criativo e prático", afirma ele. 
Mais um ponto que exige atenção:
Inteligência não é apenas saber usar suas capacidades analíticas, mas também quando não utiliza-las. As pessoas que tentam utilizar suas capacidades analíticas onde elas não são cabíveis, tendem a piorar em vez de melhorar a situação.
Porém isso não desvaloriza a capacidade analítica. É muito difícil viver sem ela. "Quando as coisas dão errado no trabalho, você deve ser capaz de descobrir por quê. De maneira semelhante, em relacionamentos pessoais, a incapacidade de analisar a origem, por exemplo, de uma discussão, ou fazer uma análise equivocada, pode ser um desastre e tanto. 
As casais que repetidamente discutem sobre a mesma coisa com freqüência o fazem porque o motiva da discussão não e a origem real do atrito. Assim, mesmo que eles resolvam o conflito , não terão resolvido o problema que causou, e continuarão a discutir", diz.
Estas três dimensões, os raciocínios analítico, criativo e prático, permeiam todas as relações humanas, na área profissional, não se restringem à atividade administrativa. De acordo com Sternberg, está presente em todas as áreas de atuação. 
Não vejo nada!
Tudo começa na identificação do problema. É aqui, também, um ponto difícil do caminho. Você contrata um executivo que tem fama e histórico de 'solucionador de problemas'. Ele toma posse e estranhamente nada acontece, nenhuma mudança e implementada. Quando você questiona, percebe que o 'solucionador de problema' simplesmente não vê problema nenhum. Tudo está funcionando divinamente.
Esta etapa talvez seja a mais complicada - e, na mesma intensidade, fundamental - para se resolver problemas. Antes de solucionar um problema, primeiro é preciso reconhecer que ele existe. Quem conhece o mal do alcoolismo ou qualquer outro tipo de vício sabe que o primeiro passo para a cura é reconhecer que se tem problema. 
De acordo com Sternberg, desde o ensino fundamental aprendemos a resolver problemas. Nas provas eles são identificados literalmente por 'problemas', são enumerados e geralmente são finalizados por pontos de interrogação. Como sempre é identificado, as crianças não aprendem a reconhecer as características das situações problemáticas do mundo real - vida pessoal ou empresa: a grande maioria dos problemas são camuflados, não possuem um ponto de interrogação no final. 
Como identificar os problemas? Não existe receita. É preciso estar atendo e ter sensibilidade (aqui outro nome da percepção) para perceber os sintomas, os sinais de fumaça do problema. Não quero apressa-lo, mas está é uma etapa que precisa de uma certa agilidade. Para os problemas, assim como para as doenças, o diagnóstico precoce é o mais indicado. Muitas corporações, no mundo inteiro, faliram porque seus executivos só enxergaram o problema quando ele estava em um estágio avançado. Sem contar que, quando mais se demora a identificar o problema, mais difícil e demorada é a sua solução. 
"As pessoas de inteligência ativa não esperam que os problemas as atinjam. Elas reconhecem sua existência antes que saiam do controle e começam o processo de solução", diz Sternberg. 
Que tipo de problema?
Tão importante quando reconhecer o problema, é defini-lo corretamente. Há muitas pessoas que desperdiçam um tempo imenso resolvendo problemas inexistentes.
Você gasta tempo implementando medidas e só quando aparecem os resultados é que você percebe que o problema não foi solucionado, porque partiu de uma definição errada. 
"Quantas pessoas mudaram de emprego, buscando uma empresa onde fossem mais felizes, quando, na verdade, o problema não era a empresa, mas sim o tipo de trabalho que faziam? Definir um problema corretamente pode poupar muita dor", afirma Sternberg. 
Agora pode entrar em ação!
Na seqüência, temos a parte da ação, a prática. De nada adianta você identificar e definir o problema e a seguir ficar anestesiado, sem saber o que fazer. Esta etapa envolve capacidade abstrata para planejar as possíveis saídas (estratégias) e criatividade para ampliar o número de possíveis saídas. A definição nesta etapa é muito visível nos relacionamentos. "As pessoas que permanecem em relacionamentos insatisfatórios podem ser suficientemente inteligentes para saber que o relacionamento não está dando certo e o porquê (inteligência analítica), mas não são inteligentes o suficiente para saber o que fazer a respeito a isso (inteligência analítica). Por outro lado, as pessoas de inteligência podem cometer erros e entrar em situações ruins nos negócios e nos relacionamentos, mas possuem o discernimento e a coragem de saber quando e como sair", exemplifica Sternberg. A capacidade de atuar bem nesta etapa prática é muito valorizada pelas empresas, através dos treinamentos. "As empresas já se deram conta de que o valor do funcionário repousa na educação que pode ter recebido antes de ter sido admitido na empresa, mas também percebe que ele se torna mais valioso com a educação que recebe depois que começa a trabalhar. Elas (corporações) valorizam o aprendizado contínuo e enfatizam o desenvolvimento de habilidades que poderão ser úteis na empresa. Em outras palavras, aspectos da inteligência prática", conclui Sternberg.

 

Fonte: Revista Vencer - Ano II - nº 20 - maio 2001. 

 

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