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AJUDE-ME
SENHOR, QUE É SEGUNDA-FEIRA
(por
Maria Cristina Gama Duarte)
Um
tédio inexplicável começa a tomar conta de você depois do almoço do
domingo. A segunda-feira anuncia-se como um peso, uma ausência total de
perspectiva, uma mesmice sem fim. Você se sente como um condenado à
câmara de gás, prisioneiro do desânimo e só o senso do dever e outras
ameaças conseguem levá-lo até o carro e guiá-lo até a sua mesa na
qual a rotina espera para atacar. O antídoto para combater essa pasmaceira
sem demonstrar e entregar o ouro para o inimigo é uma arte
que envolve dissimulação e astúcia.
1
- Quem não tem colírio usa óculos escuros: arranje um
escudo entre você e o mundo e um bom par de lentes escuras, com uma
armação Armani (ou de outra grife poderosa). Elas ajudar a criar um
astral misterioso, camuflam uma incipiente conjuntivite, as olheiras e
principalmente o seu olhar de déjà vu. Um terno escuro pode também ajudar
a fazê-lo parecer egresso de um funeral, o que convenhamos como uma luva
pra o seu estado de espírito.
2
- Imagina que você foi despedido: costuma ser um
poderoso antídoto imaginar o reverso da medalha. Afinal, você que se
impacienta com a falta de novidades e anseia por mudanças qualitativas e
eletrizantes precisa administrar a ansiedade e energia acumuladas de
maneira homeopática e sistemática. A segunda-feira é dia de começar de
novo.
3
- Talvez seja o momento de se preparar para uma saída estratégica:
umas férias, um ano sabático, uma licença. Se a síndrome da
segunda-feira teimar em se repetir por mais de um mês e você acabou de
tirar férias, examine profundamente as raízes da sua insatisfação.
Você pode estar jogando frustrações de outras áreas como um casamento
tedioso ou uma relação tempestuosa com pais e irmãos para dentro do
trabalho. Pode estar esperando recompensas que a rotina da empresa está
impossibilitada de oferecer.
4
- Esqueça o mito de que só se deve trabalhar naquilo que se gosta:
este é mais um lema criado para provocar confusão para o executivo tão
cheio de solicitações neste milênio. É preciso entender que nem sempre
se atende aos apelos vocacionais. Às vezes, é preciso aprender a gostar
do trabalho que se tem e a melhor motivação é torná-lo o mais criativo
possível. A sua missão é fazer com que as tarefas fiquem mais leves e
também delegá-la com a tolerância de quem aceita diferenças: ninguém
é obrigado a fazer como você faz, mas deve fazer bem-feito.
5
- Demita, limpe, espane, jogue no lixo. Dúvidas,
pendências, mesa cheia, tudo isso se acumula à insônia e exige que a
manhã de segunda-feira desemboque num parto de ações e medidas
inadiáveis. Por mais difíceis que sejam, agir, mudar, limpar gavetas ou
mal-entendimentos melhoram a perspectiva de qualquer segunda-feira, mas
essas tarefas devem ser realizadas o mais cedo possível para que o rolo
compressor da rotina não o atropele no primeiro cafezinho.
6
- Se você ainda não estreou no voluntariado, segunda-feira é um
ótimo dia para começar. Pode parecer pieguice barata, mas o
Brasil é um país que em que está tudo por se fazer e ainda mais tendo
tanta gente que pode crescer e florescer se você se dispuser a ajudar.
Muito mais que um hobby, um esporte, uma dieta que são coisa que se faz
par o ego, o voluntariado devolve a visão do outro e dá à rotina a sua
devida proporção. E você ganha a segunda-feira, graças a Deus.
Fonte:
Revista Vida & Trabalho Melhor - Edição nº
16 - Abril 2001
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