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Mulheres no
comando: trabalhando com as líderes
(por Clarissa Janini)
Uma pesquisa recente do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística) revelou que as mulheres estudam mais tempo que os homens
mas ganham, em média, 30% menos. Mesmo assim, é visível que elas estão
cada vez mais presentes em cargos de liderança no mercado de trabalho.
Com isso, as mulheres líderes tiveram que aprender a sobreviver à
competição e mostrar que são tão eficazes quanto seus colegas do sexo
oposto.
A consultora Marianita Crenitte, especialista em desenvolvimento de
carreira, acha que as mulheres vêm adotando, ao longo dos anos, uma
postura mais racional nas empresas para poderem se equiparar ao estilo
de liderança masculino. “Ao mesmo tempo, os homens também estão
aprendendo a desenvolver características tipicamente femininas, como a
intuição. É uma certa troca de papéis no mundo corporativo, o que é
bastante saudável”. Ela afirma, porém, que as mulheres devem ficar
atentas para não perderem suas características peculiares em nome da
competitividade dentro do ambiente de trabalho. “A mulher não deve
perder sua principal característica, que é a sensibilidade, aquilo que a
fez se emancipar em meio a um universo masculino”.
Prova dessa evolução dos tempos é Tânia Nahuys, diretora de expansão e
franquias da rede de restaurantes Spoleto. Ela é uma das sócias da
empresa juntamente com outros três homens e afirma nunca ter enfrentado
problemas por ser a única mulher entre os donos. “Todos sempre me
respeitaram, inclusive por eu ser mais velha do que eles”. Em relação à
convivência com outras mulheres, ela diz que “se a pessoa souber separar
o lado pessoal do profissional, não haverá conflitos.” Tânia ainda
afirma que a convivência com colegas e subordinados é tão tranqüila que
ela até virou uma espécie de psicóloga no trabalho. “Dou conselhos para
todo mundo, mas sem me envolver demais.”
Regina Juhá é dentista e coordena uma equipe de 20 pessoas na Odontoprev,
operadora de saúde odontológica. São 18 mulheres e dois homens. Ela atua
na parte administrativa, onde é a única representante do sexo feminino.
“Tive que agregar ao meu comportamento uma postura mais sóbria, que
atinge também meu vestuário.” Em relação à liderança da equipe, ela
afirma não haver muita distinção entre homens e mulheres. “Ás vezes,
porém, surgem alguns problemas quando a mulher tem filhos e
eventualmente usa isso como motivo para faltar ao trabalho. Eu tenho
dois filhos pequenos e sei que dá pra administrar bem a carreira e a
família sem ter que abrir mão de um ou de outro.”
Pois não, chefa!
E o que os subordinados de mulheres líderes têm a dizer? Rosália Lucas
de Freitas e Octávio da Silva Junior trabalham na secretaria da
coordenação dos cursos de pós-graduação da ESPM (Escola Superior de
Propaganda e Marketing) do Rio de Janeiro. Ambos são liderados pela
professora Cecília Mattoso, diretora acadêmica dos cursos de pós da
faculdade, e têm opiniões bastante semelhantes sobre sua liderança. “Ela
é uma pessoa muito sensível, mas também reúne algumas características
mais masculinas, como pensar e tomar decisões rapidamente”, diz Rosália,
que ainda faz uma comparação com outra chefe mulher que já teve: “essa
outra era bem insegura, fechada e, ao contrário da Cecília, ficava ainda
mais mal-humorada nos dias de TPM (tensão pré-menstrual)”.
Sobre a diferença em ser comandado por pessoas dos dois sexos, Silva
Júnior afirma que “a mulher é mais paciente e tem uma visão mais
detalhada dos assuntos, ao contrário do homem, que vê tudo de uma
maneira mais global”. Ele também diz que toma mais cuidado com as
palavras quando está lidando com uma mulher. “Algumas vezes estou
estressado com o trabalho e, se não dou bom dia para um dos meus chefes
homens, ele não se incomoda. Já com a Cecília e outras mulheres é
diferente, eu tomo mais cuidado com as palavras.”
O número crescente de mulheres ocupando cargos de liderança indica uma
tendência de flexibilização nas empresas. O sociólogo e especialista em
coaching Osvaldo Aragol comenta os pontos fortes da liderança feminina:
• A mulher é, por natureza, mais resistente que o homem, tanto física
como psicologicamente. É capaz de suportar pressão melhor do que nós;
• A mulher tem a intuição e a comunicação bem mais desenvolvidas do que
os homens.
Já com relação à principal competência que a mulher líder precisa
desenvolver, o consultor afirma ser o senso de competição, tanto com
homens quanto com mulheres. “A solução está na própria pessoa, que deve
trabalhar sua fraqueza e transformá-la em ponto forte. É como fazer do
limão uma limonada.”
Fonte: Jornal Sua
Carreira do site Empregos.com.br. Leia
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