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APRENDENDO
A APRENDER
(por
Raul Candeloro*)
Já
aconteceu de você ligar o carro, sair andando e só mais tarde
descobrir que o freio de mão estava puxado? O sociologista Kurt
Lewin desenvolveu um conceito chamado "Análise das Forças de
Campo". Desta forma, ele descreve dois tipos de força: forças
de freio (que desencorajam avanços) e forças de aceleração (que
encorajam o avanço).
Algumas
pessoas passam pela vida com o freio de mão puxado, presas, com
atitudes medo e pensamentos negativos. Outras pessoas soltam o freio
e avançam - de maneira positiva, lógica e confiante. Destes dois
tipos, quem você acha que é mais feliz e vitorioso?
Al
Siebert, autor de The Survivor Personality (A Personalidade do
Sobrevivente, ainda sem tradução no Brasil), descobriu que os
sobreviventes (pessoas que se envolvem sem querer em grandes
desastres) ganham forças com a adversidade. "É a forma que
uma pessoa reage às situações que determina sua sobrevivência",
diz Siebert. As características de alguém com grandes chances de
sobreviver num desastre são:
1.
Flexibilidade: a capacidade de se adaptar sem quebrar.
2. Senso crítico: uma grande vontade de que as coisas
funcionem corretamente. Pouca tolerância a coisas que estão
erradas.
3. Empatia: capacidade de identificar os sentimentos,
pensamentos e atitudes das outras pessoas.
4. Criatividade: a habilidade de resolver problemas usando a
imaginação.
5. Resistência: o poder de voltar a ficar em pé, mesmo
quando derrubado várias vezes.
6. Curiosidade: vontade de saber, aprender e compreender.
Note
que estas mesmas características podem perfeitamente descrever uma
pessoa de sucesso. Além da resistência (já falamos antes sobre o
"Quociente de Adversidade"), talvez o mais importante de
tudo seja a curiosidade - o aprender a aprender.
Como
disse James Michener, "os mestres na arte de viver fazem poucas
distinções entre emprego e diversão, entre trabalho e lazer,
entre mente e corpo. Eles simplesmente perseguem a visão de excelência
no que quer que seja que decidam fazer, deixando os outros,
espectadores, decidir se estão trabalhando ou se divertindo. Para
os mestres, essas duas coisas estão sempre juntas".
Veja
algumas dicas para checar seu freio de mão, desenvolver o
"aprender a aprender" e tornar-se um mestre no que faz!
Valorize
conhecimentos 'não técnicos'
Se o futuro é menos previsível do que era antes, habilidades lógicas
e analíticas já não são mais suficientes para garantir o
sucesso. Num ambiente de incertezas, a imaginação e a
flexibilidade passam a ter cada vez mais valor. Na verdade, 'pensar
diferente' muitas vezes não é nada mais do que reagrupar
conhecimento de novas formas. Mas para isso é necessário adquirir
esse conhecimento antes.
Questione
- procure novos ângulos
Ser
curioso e questionador é algo pouco enfatizado nas escolas - e
muito menos nas empresas. Sindri Anderson, que já foi diretora de
treinamento e desenvolvimento da Levi Strauss & Co., cita casos
de treinamento em boates, galerias de arte, onde quer que seus
clientes estivessem. Armados de câmeras digitais e gravadores, os
gerentes de produto da empresa coletavam informações diretamente
na fonte. Não dá para pedir criatividade dos seus funcionários se
o treinamento é feito sempre igual, quadradinho, numa sala sem
janelas, com ar-condicionado e luz artificial.
Sintonia
fina constante
Aprender
deixou de ser um evento. Tanto que os departamentos de RH antes
pensavam em número de bundas na cadeira em alguma sala de
treinamento. O treinamento era dado e pronto - que venha a próxima
turma. Continuidade, nem pensar - não havia nem tempo nem dinheiro
para isso. Numa fábrica você não fica esperando que um produto
defeituoso chegue ao final da linha de produção para ser
rejeitado. Existem vários controles de processo que avisam ao menor
sinal de desvio. Mas nossa educação não tem sido assim. Na
empresa, o treinamento estará diretamente vinculado a resultados.
Assim, a forma de medir o sucesso do treinamento estará diretamente
relacionada a resultados financeiros ou de performance. Cursos que não
se traduzam em satisfação do cliente, lucro, crescimento ou retenção
de talento (diminuição do turn over) serão cada vez menos
estimulados.
Prefira
a substância
Você
tem que entender de tecnologia. Sem dúvida alguma, grandes
novidades serão lançadas nos próximos anos que revolucionarão a
maneira pela qual aprendemos - a forma em que processamos,
arquivamos e posteriormente utilizamos as informações arquivadas.
Mas cuidado: todos temos a tendência a apaixonar-nos pelo 'brilho'
- pelo que está na moda, pelo que todo mundo está comentando. Na
hora de trabalhar, as pessoas não querem brilho - querem conteúdo,
substância, conhecimento - de preferência, organizado de forma que
a informação sendo procurada seja encontrada de maneira fácil e rápida.
O segredo é aproveitar a quantidade enorme de 'consultores' disponíveis
gratuitamente: seus colegas, a Internet, listas de discussão. E o
melhor de tudo é que assim, você garante atualização contínua.
Importante mesmo é aprender.
Comunicação
eficaz
Quando
problemas surgem numa empresa, raramente é porque não existia
informação suficiente, e sim porque ela não foi comunicada
corretamente. Por isso é fundamental saber trabalhar em grupo: além
de saber trabalhar com a informação e usá-la para tomar decisões,
você precisa também entender as perspectivas das outras pessoas -
como elas se comunicam e como tomam decisões.
Conhece
a ti mesmo
Você
conhece suas fraquezas? Você está disposto a aceitá-las e
admiti-las? O que tem freado sua vida, impedindo-o de viver
exatamente da forma que gostaria? Quando você é honesto consigo
mesmo sobre suas fraquezas, e está disposto a dedicar-se a
trabalhar para melhorá-las, você acaba trilhando o caminho para o
sucesso. Faça as perguntas certas, entenda o problema completamente
e explore o máximo de soluções possíveis que puder.
Para
terminar, uma lista de máximas, retiradas de "An Incomplete
Manifest for Growth, de Bruce Mau", publicadas originalmente na
revista Fast
Company:
1.
Deixe os eventos mudarem você: Você deve estar disposto a crescer.
Crescer é diferente de algo que acontece com você: você produz o
crescimento. O pré-requisito para o crescimento é estar aberto
para as experiências de novos eventos e a disposição para ser
transformado por eles.
2. Capture acidentes: a resposta errada é uma resposta certa
procurando uma pergunta diferente. Colecione respostas erradas como
parte do processo de aprendizagem. Depois faça perguntas
diferentes.
3. Faça perguntas estúpidas: O crescimento é alimentado
pelo desejo e pela inocência. O importante é a resposta, não a
pergunta. Imagine passar pela vida aprendendo na velocidade em que
aprendem as crianças.
4. Coloque-se nos ombros de alguém: Você pode viajar muito
mais longe carregado pelas conquistas daqueles que vieram antes de
você. E a vista é muito melhor.
5. Repita-se: Se gostou, faça de novo. Se não gostou,
experimente mais uma vez.
6. Crie novas palavras: Novas condições exigem novas
maneiras de pensar. Novos pensamentos exigem novas formas de expressão.
Novas expressões criam novas condições.
7. A criatividade não depende de artefatos: Esqueça
tecnologia. Pense com seu cérebro.
8. Viaje: O mundo é muito maior do que a tela da sua TV, ou
a Internet.
9. Cometa erros mais rapidamente: Esta idéia é emprestada,
provavelmente do Andy Grove.
10. _____________________ : Esta nós deixamos
intencionalmente em branco. Deixe sempre um lugar para suas novas idéias,
e as novas idéias das outras pessoas também.
*Raúl
Candeloro é palestrante e editor da revista VendaMais®.
Fonte:
Site Empregos: www.empregos.com.br.
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