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Muito
além das flores
(por
Roberto Shinyashiki*)
A
proximidade do Dia da Secretária suscita uma reflexão sobre as
comemorações desse momento. Muitas empresas organizam festas, os
chefes dão os parabéns pela data e, inevitavelmente, as flores.
Porém, precisamos refletir sobre qual o melhor presente que as
secretárias merecem e precisam .
Hoje,
nos Estados Unidos, muitas profissionais que antigamente exerceriam
esse trabalho pedem para não serem chamadas de secretárias, porque
ficam preocupadas de ser estigmatizadas como profissionais
ultrapassadas. A profissão está ultrapassada? Não! Mais do que
nunca precisamos de alguém para nos ajudar a multiplicar o nosso
tempo .
Para
refletir sobre o melhor presente que um chefe pode dar à sua secretária
temos de compreender quais as competências que são exigidas delas.
Cada vez mais, as secretárias têm de manter postura pró-ativa,
executando ações eficientes e em tempo real, pensando junto ou até
antes dos executivos que assessoram. É fundamental que conheçam os
desafios dos diretores e tenham conteúdo de informações que lhes
permita dialogar, propor, ponderar, antecipar-se e apresentar soluções
em vez de problemas.
Ao
refletir sobre o papel da secretária, lembrei-me das
instrumentadoras cirúrgicas, com as quais convivi no inicio da
minha carreira de médico, na qual ingressei pela cirurgia antes de
me tornar psiquiatra e administrador de empresas. Naquela época,
existiam dois tipos de instrumentadora competentes: a que sabia
reagir rapidamente à solicitação do cirurgião; e a que estudava
e se capacitava de tal maneira a saber quais eram os desafios que o
médico estava enfrentando. Então, quando o cirurgião pedia
determinado instrumento, ela não precisava ter o reflexo rápido
porque o estava acompanhando em tal grau de sutileza que, antes
mesmo da solicitação, o material já estava pronto a ser
utilizado. A instrumentadora campeã já sabia os próximos passos
do ato cirúrgico para poder antecipar-se às necessidades do médico.
Da
mesma forma é a secretária moderna. Cada vez mais está se
tornando uma profissional capaz de pensar estrategicamente e não
ser uma cumpridora eficiente e rápida de ordens e solicitações. A
secretária tem se colocado em um novo patamar, no qual consegue
compreender a dinâmica de todos os projetos com os quais o
executivo esteja comprometido. Ela simplesmente não pode mais
limitar-se a cursos de relacionamento humano e informática; precisa
agregar conhecimento por meio da educação continuada, como em MBA
e outras alternativas de extensão universitária, pois assim terá
cada vez mais condições de estabelecer sinergia com o executivo
que assessora, pensando nos objetivos da empresa.
Os
novos desafios que se colocam à carreira de secretária são os
mesmos, a rigor, que devem ser enfrentados e vencidos por
profissionais de todas as áreas e carreiras. O exemplo das secretárias
é muito oportuno, não só pela tradicional comemoração de seu
dia, como - e principalmente - pelo fato de essas profissionais
demonstrarem, cada vez mais, estar entendendo a realidade contemporânea
do trabalho e as exigências impostas aos que desejam construir
carreiras vitoriosas.
O
melhor presente para as secretárias é a oportunidade de participar
dos mesmos cursos de seus executivos, porque o conhecimento é a
arma mais importante para um profissional de verdade conseguir
superar os seus desafios. Com o conhecimento aprimorado, ela poderá
trabalhar de forma cada vez melhor na direção dos objetivos de seu
setor e da empresa. Resumindo: o conhecimento é o melhor presente.
Ah! Finalmente, não esqueça de agradecer a ela todo o esforço no
dia-a-dia, vital para o cumprimento de metas.
*Roberto
Shinyashiki é médico psiquiatra, com pós-graduação em
Administração de Empresas (MBA/USP) e escritor.
Fonte:
Site Empregos: www.empregos.com.br.
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