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TERROR DA ENTREVISTA...
(E
como vencê-lo) As
estratégicas para você dar um show na conversa cara a cara e conquistar
a grande chance de sua carreira. por Dalen
Jacomino Os
holofotes estão sobre você. Seu coração dispara. As mãos tremem. a
garganta seca. A memória entra em curto-circuito. Do outro lado da mesa, o
todo-poderoso: o entrevistador, que disseca você de cima a baixo, do
sapato ao corte de cabelo. E logo em seguida dispara as primeira
bombas: -
O que você pode fazer por esta empresa? Por que deveríamos contratá-lo? -
Onde você se vê em cinco anos? -
Agora me diga: está faltando lua de manhã. Você sabe que tem 12 meias
pretas e 8 azuis. Quantas meias precisa tirar da gaveta para ter um par
perfeito? Calma.
A entrevista de emprego não precisa ser um pesadelo, nem uma
sessão de tortura. A entrevista é, sim, o momento mais importante e
decisivo no processo de contratação. Para conseguir uma posição em
qualquer empresa deste planeta, você terá de enfrentar pelo menos uma
entrevista. Hoje em dia, um candidato passa, em média, por três ao
pleitear um cargo. Essa é, portanto, a hora de convencer seu interlocutor
de que você é a pessoa certa par a vaga, de que é perfeito para o
papel. É a grande oportunidade de mostrar que seus valores e planos têm
tudo a ver com os valor e metas da empresa. E mais: é o momento precioso
e talvez único de você conhecer melhor a companhia na qual pretende
passar os próximos anos de sua vida. "O choque entre a cultura da
empresa e a do profissional é o principal motivo de mais de 90% das
contratações malsucedidas", afirma Gladys Zrncevich, consultora da
Korn/Ferry, uma das maiores empresas de Headhunting do mundo. Portanto, se
você não quer se o personagem principal de uma contratação fracassado,
tem de entender que a entrevista é a hora de vender seu peixe. É também
a oportunidade de avaliar a empresa e checar se realmente aquele é o
lugar certo para você crescer como profissional. Por
ser uma via de mão dupla, uma boa entrevista não depende somente de sua
alta performance. Depende também da atuação do entrevistador. Eis
o primeiro problema: o mercado está repleto de entrevistadores
despreparados para avaliar candidatos. A maioria deles tira conclusões
precipitadas sobre seus entrevistados. "Conheci um executivo que
decidia se ia contratar o candidato pela intensidade e duração do aperto
de mão logo no inicio da entrevista", afirma Neusa Lopes, que há 18
anos atua na área de RH da Tecnol, fabricante de armação para óculos,
de Campinas, interior de São Paulo. Segundo o especialista em recursos
humanos Paul Taffinder, sócio da consultoria Accenture (antiga Andersen
Consulting), a maioria dos executivos decide se aprova ou não o candidato
nos primeiro 2 minutos de conversa e depois passa o resto do tempo
tentando se convencer da decisão inicial. Sem falar no fato de que
pouquíssimos entrevistadores estão realmente preocupados em apresentar a
empresa ao candidato. "Não basta o profissional ser brilhante e
competente, é preciso haver afinidade de valores", afirma o
consultor e headhunter Luiz Carlos Cabrera. De
acordo com dados da Society for Industrial and Organizational
Psychologistis, entidade americana de psicólogos ligados ao trabalho, as
entrevistas têm apenas 65% de eficiência no julgamento das competências
e da capacidade de liderança dos candidatos. É justamente por isso que
quase todo mundo tem uma história surreal para contar sobre o assunto.
Paulo Pedroso da Silva (nome fictício) é um deles. O jovem paulistano
saiu de uma entrevista de emprego sem calça. A
razão do disparate? Durante a conversa com o diretor de um grande banco
de investimento, o entrevistador quis comprar a calça de Silva pelo
preço do terno completo - 500 reais. Era um bom negócio, Silva, sabendo
que estava sendo avaliado, topou o negócio. Recebeu o dinheiro e entregou
a calça ao diretor do banco. No fim da conversa, o diretor do banco disse
que vendera a calça de volta - só que por 600 reais. " Não
aceitei". Resultado da história: João pediu para usar o telefone.
Ligou para um amigo e recebeu uma calça no escritório. a outra peça
ficou com o diretor. Silva passou na seleção, mas teve de se desdobrar
para administrar a situação. Sejamos
realistas: ninguém está livre desse tipo de situação. Portanto, não
resta outra possibilidade a não ser se preparar para tudo, inclusive para
enfrentar as surpresas. Será
que você está pronto? Infelizmente, as empresas também acham que a
maioria dos candidatos não está. O principal problema: chegar para a
entrevista com o scrip pronto, decoradinho. As pessoas ensaiam horas e
horas na frente do espelho. Preparam um discursos cheio de adjetivos e
acreditam que vão arrasar. "Parece que todo mundo segue a mesma
receita. Há uma preocupação excessiva com roupa, gestos e respostas. No
final, tudo é muito igual e artificial", afirma. Alfredo Ribeiro,
gerente de recursos humanos da HP. O
fato é que há também uma forte descompasso entre o que as empresas
esperam dos candidatos e os que apresentam nas entrevistas. Cláudio
Neszlinger, diretor de RH da Microsoft, lembra de uma história que mostra
bem esse descompasso. Numa determina dinâmica de grupo que conduziu com
candidatos a trainess, o assunto era esportes. A maioria dos participantes
dizia que pratica esportes e se esforçava em lançar argumentos
interessantes sobre o assunto. De repente, um participante pediu a
palavra. Disse que estava perdido no meio do grupo porque tinha preguiça
de fazer exercício, mesmo sabendo da importância do esporte para a
saúde. Preferia sair do trabalho e ir tomar um chope com os amigos.
"Me impressionaram atitude e honestidade do candidato", afirma.
O recém-formado foi aprovado. LIÇÃO
FUNDAMENTAL: não queira ser na entrevista o que você não é de
fato. "No segundo, terceiro ou quarto dia de trabalho, a máscara
cai", afirma Ricardo Rocco, da empresa de headhunting Russel
Reynolds. E o pior: depois de alguns meses você pode perceber que não
tem nada a ver com a empresa. E ai suas chances de crescimento
profissional são mínimas. Você simplesmente trava sua carreira. E
MAIS: não invente respostas quando você não sabe o que dizer.
Recentemente, uma candidata a uma vaga numa empresa de Internet foi
questionada durante o teste escrito de conhecimentos gerais sobre quem era
Harry Potter. A resposta? "Henry Potter é um compositor inglês que
forma dupla com Colle da famosa dupla Colle e Potter", desse a
profissional. Veja o absurdo. Harry Potter é o personagem principal - um
jovem estudante de bruxaria - de uma séria literária voltada para o
público infanto-juvenil. Nada a ver com o compositor americano Cole
Porter. Numa dessas escorregadas, o candidato perde a vaga na hora. Era
melhor ter assumido que não sabia a resposta. Não
há segredo nem fórmula milagrosa para ser bem sucedido na entrevista. As
empresas esperam apenas que você revele o melhor de si, de maneira
transparente e honesta. E, é claro, sempre usando o bom senso, Para
conseguir essa combinação de espontaneidade e argumentação bem
fundamentada, é preciso fazer a lição de casa, se prepara muito. Fonte:
Revista Você s.a - Edição 34 - Ano 4 - Abril/2001
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