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(CONTINUAÇÃO)
Como
Fazer Seu Currículo Valer Ouro
(por
Márcia Rocha)
"...
A VOCÊ s.a. fez um levantamento minucioso de tudo o que deve ter - e
também o que não pode conter - um currículo para ser considerado bem
feito. Merecer nota 10. Ganhar de lavada dos outros. Ouvimos cerca de 20
profissionais e chegamos a 25 itens práticos e indispensáveis..."
7
- Fale do que é capaz: Podemos dizer que o resumo profissional, o
próximo item da lista, é o coração do seu currículo. é aqui que
você vai apresentar uma síntese das competências que desenvolveu ao
longo da carreira. E precisa entrar antes de citar as empresas em que
trabalhou, porque este é o momento em que a pessoa que está lendo vai
desistir ou ir em frente. Essa parte é a mais difícil, porque você vai
ter que ser breve e, ao mesmo tempo, discorrer sobre as suas habilidades.
Para facilitar, faço o texto em itens, como este engenheiro mecânico que
está se candidatando a uma vaga gerencial:
-
Sólida experiência em uma série de funções nas áreas de vendas,
manufatura, engenharia, gerência de projetos, relações governamentais,
marketing, gerência de produtos, planejamento estratégico e gerência
geral de unidade de negócios.
-
Dez anos de experiência internacional nos Estados Unidos da América e na
América do Sul.
-
Capacidade de liderança, habilidades de negociação e comunicação,
adaptabilidade a novas funções e novos ambientes, coragem e
determinação para mudar paradigmas e visão estratégica de diferentes
segmentos de negócios tanto no Brasil quanto no exterior.
Se
você está começando sua carreira, ainda não tem muito o que contar
sobre sua experiência profissional, então, vá direto para sua
formação acadêmica.
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- Por onde você passou? Mencione somente as últimas cinco empresas em
que trabalhou, em ordem cronológica decrescente. Gutemberg Macedo,
diretor da Gutemberg Consultores, empresa de recolocação de executivos,
aconselha escrever os dados da sua experiência profissional na seguinte seqüência: nome da empresa - se ela não for conhecida, descreva
rapidamente seu ramo de atividade, sua posição no mercado, seu
faturamento e seu tamanho em número de funcionários (a idéia é mostrar
seu porte); cidade e, se for caso, o país em que ela se localiza; a
posição que você ocupava; e finalmente o mês e ano da sua
contratação e saída. "É importante mencionar isso para que o
empregador saiba se você passou algum período sem trabalhar", diz
Gutemberg.
Não
se limite a dizer qual era o seu cargo. Muito mais importante que ele é
contar o que fez na prática. É isso o que vai fazer a diferença - e é
justamente esse um erro que grande parte das pessoas comete. Não adianta
escrever: administrador financeiro, responsável pelas finanças da
empresa. "É óbvio que um jogador de futebol joga futebol", diz
o headhunter Robert Wong, da Korn/Ferry International. "O que quero
saber é se ele foi capitão do time, se nunca receber um cartão vermelho
e outras coisas desse tipo". Enumere as responsabilidades que tinha
quando ocupou aquele cargo e os resultados que obteve. Sempre que
possível digo quanto a empresa lucrou com as suas ações. Veja como um
gerente comercial descreveu suas atribuições e realizações e siga seu
exemplo:
Gerente
Comercial - Divisão Laminados
-
Fui o responsável por vendas, marketing, exportação, importação,
desenvolvimento de produtos e mercados e serviço de atendimento ao
cliente. Vendas em 1999: US$84 milhões.
-
Elevei a participação de mercado no segmento de rodas de alumínio para
caminhões de 5% para 95% em cinco anos, qualificando a Roda XYZ como
padrão no modelo 1938 pesados Mercedes-Bens. O volume de venda de 40.000
rodas em 1999 justificou a aprovação de um investimento de US$ 6 milhões
para sua fabricação no Brasil.
Se
você fosse um médico, poderia descrever suas realizações desta maneira:
"-
Implementei, juntamente com minha equipe, um programa de combate à febre
amarela que resultou na redução de US$ 5 milhos de despesas públicas
com saúde.
-
Dirigi o Hospital XYZ durante oito anos e reverti seu delicado quando
financeiro por meio de parcerias com a iniciativa privada.
-
Operei, nos últimos 12 meses, 80 pacientes com problemas
cardiovasculares, obtendo 100% de sucesso nessas intervenções."
Naturalmente,
não há apenas uma maneira de falar sobre sua carreira. Vicky Bloch,
diretoria da DBM, outra empresa de outplacement, sugere que você
relacione as competências com os resultados que obteve nas empresas onde
trabalhou. O padrão sugerido pela consultora foi adotado por este
profissional, que deseja ser o diretora industrial de uma empresa:
"Competência:
capacidade de implementação de políticas e procedimentos, evitando
processos para a organização.
Principais
realizações: implementei políticas e procedimentos internos para
aprovação pelo departamento jurídico envolvendo contratos, embalagens e
rótulos, comerciais em TV, rádio e revistas, procurações e serviço de
atendimento ao consumidor. Por causa dessa atuação preventiva, evitamos
problemas com o consumidor como, por exemplo, um recall."
9
- Um currículo só não basta: Se há uma coisa que pode adiantar
o expediente é fazer um currículo especial para cada empresa que você
tenha em vista. É claro que antes você precisa saber em quais empresas
gostaria de trabalhar - e não importa se há vagas ou não (qualquer
empresa inteligente tem lugar para pessoas talentosas). A partir dai,
terá que descobrir tudo o que puder sobre a companhia, sobretudo os
problemas para os quais você tem solução. Internet, jornais, revistas e
conversas com funcionários são fontes valiosas de informação. Essa é
a única maneira de não gastar munição à toa. "Uma vez recebemos
o currículo de um físico nuclear", lembra José Luiz Ferreira
Gomez, consultor interno de recursos humanos da Copesul. Detalhe: a Copesul é uma companhia de petroquímica e não tem espaço para esse
tipo de profissional. Em outras palavras, tempo perdido para o candidato e
para a empresa.
10
- Seu diploma tem grife? Não adianta negar: além da experiência
profissional a formação acadêmica pesa muito na hora do
empregador se decidir por um candidato. É consenso entre os especialistas
em carreira que quem não se graduou em uma universidade conhecida deve
"reparar"essa falta fazendo uma pós-graduação numa
instituição de renome. Não estamos querendo dizer que sem um diploma de
primeira linha a pessoa não tenha chances de entrar em uma boa empresa.
Claro que o desenvolvimento depende muito mais dela mesma do que das
escolas por onde passou. a questão aqui é: o que você tem a oferecer
para a empresa? Ela quer alguém que já tenha provado que deu resultados
em outras companhias ( e para isso o profissional não poderá ser
jovenzinho) ou alguém que tenha estudo numa instituição respeitada -
porque teoricamente, desses lugares saem pessoas com mais potencial.
Nunca
se iluda quanto ao objetivo das empresas: elas querem gente talentosas,
capaz de dar resultados. Isso é o que mais importa para elas. Se a pessoa
está entrando no mercado e não tem como provar que é boa, passará pelo
funil com muito mais facilidade se tiver um diploma de nome, falar inglês
fluentemente, tiver estudo no exterior e coisas assim. Se já tem feitos
que fazem os olhos brilhar, basta se manter atualizada.
Fale
sobre sua formação acadêmica começando sempre pelo curso mais recente,
com ano de início e de término. Basta relacionar o curso de graduação de pós-graduação (é ridículo colocar pré-primário, ginásio,
primeiro grau, etc.). Se você estiver pleiteando um estágio, terá mais
razão para começar dizendo onde fez ou está fazendo, a faculdade.
11
- Nada de cursos relâmpagos: Só coloque os cursos
complementares que fizeram você desenvolver alguma habilidade
interessante para a empresa onde quer trabalhar. Aqueles seminários de
uma tarde sobre relações humanas no trabalho definitivamente não
interessam a ninguém.
12
- Qual é sua língua? Em matéria de idiomas não existe
meio termo. "Ou você é fluente ou não é", diz a headhunter
Yonara Costa. Para evitar constrangimentos na hora da entrevista (sim,
seus conhecimentos serão testados cara a cara), ela aconselha o candidato
a subavaliar seu conhecimento de línguas estrangeiras. Ou seja, é melhor
dizer que do francês você só sobre o básico do que afirmar que se vira
muito bem - ainda que se vire razoavelmente bem. Ao contrário da
faculdade, o nome da escola (ou escolas) onde você aprendeu inglês,
alemão, espanhol ou seja lá o quer for não importa a mínima. A não
ser que tenha aprendido morando no exterior - ai, claro que tem que dizer.
Fonte:
Seu Currículo Tem Que Brilhar escrito por Márcia Rocha, publicado
na Revista Você S.A. - Edição
29 - Novembro/2000
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